NATAL: A VIDA SE MANIFESTOU PDF Imprimir E-mail
Publicado em : 15/ 12/ 2008 12:19

Jaime Carlos Patias *

O mês de dezembro nos reserva momentos e celebrações significativas. Com o Advento iniciamos na Igreja um novo ano litúrgico, e com ele a preparação para o Natal do Senhor. Entramos em ritmo de espera, em atitude de vigilância e atenção, de alegre chegada e calorosa acolhida. Vivenciamos mais uma crise mundial e, como comunidade missionária que recebeu a incumbência de anunciar o Reino de Deus, somos convocados a renovar a esperança para que a vinda do Senhor produza em nós, bons frutos. E as melhores lições aprendemos de Deus. O Natal está intimamente relacionado com a Missão. Se Deus veio ao encontro da humanidade com a Encarnação em todas as culturas, os discípulos missionários de Jesus não deveriam ter medo de repetir o mesmo gesto e ir ao encontro do “outro”. Está na hora de romper as barreiras do medo e do preconceito. Deus mostra o caminho enviando o seu próprio Filho como Salvador e Redentor. Ele é amor e não tem preconceitos. Seu Espírito sopra onde quer e abraça todas as culturas.

Nesse sentido, a Conferência de Aparecida segue nos iluminando. A Igreja, para ser toda ela missionária necessita desinstalar-se de seu comodismo, estancamento e tibieza; converter-se em um “poderoso centro de irradiação da vida em Cristo. Esperamos um novo Pentecostes que nos livre do cansaço, da desilusão e da acomodação” (DA 362). A chegada de Jesus marca um momento decisivo na construção e na interpretação da história da humanidade. Vemos claramente um período antes de Cristo e um outro, completamente diferente, depois dele. O mesmo Espírito que conduziu a vida de Jesus, na Anunciação, Encarnação, no Batismo, no discernimento, durante sua vida pública, hoje forma discípulos(as) missionários(as) na comunidade. Deixar-se “empurrar” por esse Espírito é tomar consciência de que o discípulo(a) deve sair de seu mundo estreito e assumir a liberdade de amar em todas as direções como um novo chamado para a Igreja atual.

Celebrar o Natal de Jesus é tomar parte ativa da história que construímos entre todos os povos do mundo. No centro da missão de Jesus estão o amor e a misericórdia, atitudes que aproximam ao ser humano do próprio Reino de Deus. O sentido da nossa presença no mundo, como cristãos é dar continuidade à missão de Jesus. “Ao participar dessa missão, o discípulo caminha para a santidade. Vivê-la nos conduz ao coração do mundo. Por isso, a santidade não é fuga para o intimismo ou para o individualismo religioso, tampouco abandono da realidade urgente dos grandes problemas econômicos, sociais e políticos que afligem o nosso país, continente e mundo, e muito menos fuga da realidade para uma situação exclusivamente espiritual” (DA 148). Ao contrário, a Encarnação de Deus na história, não teria sentido. No Natal do Senhor, guiada pelo Espírito e interpelada pela realidade na qual está inserida, a Igreja escuta, aprende e anuncia o Reino de Deus para a humanidade. “Porque a Vida se manifestou, nós a vimos, dela damos testemunho, e lhes anunciamos a Vida Eterna” (1 Jo 1,2).


* Jaime Carlos Patias, imc, mestre em Comunicação e diretor da revista Missões. www.revistamissoes.org.br

 

Fonte: Revista Missões

 
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