PARTILHANDO DA VIDA DO POVO MAKUA: PDF Imprimir E-mail
Publicado em : 06/ 08/ 2008 12:19

Aprove ImagemUm ano em Moçambique

 

 

 

Pensar em um ano de Moçambique é como relembrar o gingado, as travessuras, a beleza dos giros que o vento provoca neste continente espalhando poeira, folhas e tudo que encontra pelo caminho. E tudo isso numa fração de minutos e até de segundos. Assim se passou um ano de convivência e de partilha com o povo Makua.

 

 

Relembrando: saímos de Guarulhos (São Paulo), com destino ao continente africano. Nesta primeira viagem, a Irmã Clara Maria Schmidt, alemã, residente no Brasil, da Congregação das Irmãs Franciscanas de Nossa Senhora dos Anjos, o Padre Paulo Sergio Cutrim, do clero diocesano de São Luís (MA), Célia das Graças Couto, brasileira, leiga consagrada e eu. Alguns meses depois vieram a Ir. Maria Célia da Silva Souza, brasileira, das Irmãs Franciscanas Bernadinas, Teone Pereira dos Santos e Maria das Graças Sousa Rosa Martins, brasileiras leigas missionárias, todas pertencentes ao Projeto Além Fronteira dos Regionais Nordeste IV e V (Maranhão e Piauí) da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, a serviço da diocese de Lichinga, no Norte de Moçambique.

 

Nosso primeiro contato com a África foi no aeroporto internacional de Johannesburg, na África do Sul e, horas depois, na cidade de Maputo, capital de Moçambique. De Maputo viajamos para Nampula e de Nampula a Cuamba, na Província do Niassa. A viagem para Cuamba foi de comboio (trem): uma viagem longa, mas muito animada graças à visão do povo Makua, muito acolhedor e alegre, das casas feitas de matope (terra misturada com água) cobertas de capim, chamadas palhotas e das montanhas que fazem parte da beleza natural desta terra.

 

Na chegada fomos acolhidos por membros da Equipe Missionária que nos esperavam na estação.

 

Nossas bases de trabalho ficam nas cidades de Nipepe e de Cuamba. São cidades pequenas, sem asfalto, com muita poeira. Nelas se encontra um pouco de tudo, inclusive banco, escritório de migração, notório (cartório), xerox, lojas (muitas com produtos do Brasil e de outros países). Cuamba é o segundo maior município da província de Niassa, e Nipepe é um distrito situado também nesta província cuja capital é Lichinga. Em Cuamba tem uma escola secundária da diocese e uma universidade católica de agricultura para formar machambeiros (agricultores). Tem mercados que são como as feiras no Brasil onde se vende de tudo, desde alimentos a roupa usada que chega em containers e é chamada de “roupa da calamidade”.

 

Em Cuamba vivemos Maria das Graças Rosa e Teone Pereira da Silva. Fazemos parte da Equipe Missionária composta pelas Irmãs Capuchinhas (brasileiras), pelos Leigos para o Desenvolvimento (portugueses), pelas Irmãs da Imaculada Conceição (moçambicanas) e por nós do Projeto Além Fronteira. Trabalhamos na Paróquia de São Miguel Arcanjo, que está sob a responsabilidade dos padres da Consolata. Esta equipe se reúne a cada 15 dias para programar e avaliar as atividades.

 

Participando de encontros com mulheres tivemos a oportunidade de conhecer a organização política, social bem como um pouco da cultura deste povo e suas relações interpessoais. O povo vive da agricultura, planta milho, mandioca, mapiha, maxoeira, arroz, feijão e verduras. O milho é à base da alimentação. No período da colheita há uma fartura muito grande, mais depois vem um período longo de escassez de alimento, quando o povo chega a passar fome e se alimenta com mandioca seca. Os riachos quase secam e há dificuldade de conseguir água limpa.

 

Desenvolvemos atividades com as mulheres, jovens e crianças. Acompanhamos os postos de saúde da diocese e nos dedicamos também ao atendimento aos doentes através do método da bioenergética e o tratamento pelas plantas medicinais. Damos acompanhamento à catequese paroquial e assessoramos os dirigentes dos Grupos da Infância e Adolescência Missionária.

 

Com a Infância e Adolescência Missionária temos uma vasta programação que inclui preparação da celebração da palavra e homilia dominical, retiros, visitas às comunidades durante a quaresma e tempo pascal, que são caminhadas de até cinco quilômetros juntos com as crianças e adolescentes. Colaboramos com uma escolinha na comunidade Adine I que oferece reforço escolar, alfabetização e aulas de inglês. No mês de julho acompanhamos a “colônia de férias” que são momentos de convívio fraterno, reflexão e partilha sobre temas formativos, oração, oficinas de artesanato, teatro, danças, cantos, poesias...

 

 

Com as mulheres, trabalhamos a promoção delas ensinando corte e costura, artesanato, tricô e crochê. Também assessoramos encontros sobre associativismos, alimentação e saúde da mulher e da criança.

 

 
Aprove Imagem

 

Na comunidade de Mulevala com noventa e seis mulheres iniciamos um trabalho sobre medicina verde, que duraram quatro meses devido à morte prematura do padre Domingos, responsável pela missão, vitima de acidente de carro. Contudo, continuamos atendendo aos doentes, uma semana por mês, na diocese de Gurue, na província da Zambézia. 

 As dificuldades encontradas (malárias, parasitas e outras enfermidades que surgem) são pouca coisa diante das oportunidades, aprendizagem e alegrias proporcionadas pela convivência com este povo.  

Louvo e agradeço a Deus por esta oportunidade que me foi dada e que deixa o desejo de querer continuar mais e mais.

 

Rai Soares, Cuamba, 05 de agosto de 2008

Missionária leiga em Cuamba, Moçambique

Este endereço de e-mail está protegido contra spam bots, pelo que o Javascript terá de estar activado para poder visualizar o endereço de email

 
Artigo seguinte >

Parcerias

Advertisement

Advertisement

Advertisement

Advertisement

Advertisement

Advertisement

Advertisement

Advertisement

Advertisement

Advertisement

Advertisement

Advertisement

Advertisement

Advertisement

Advertisement

Advertisement

Advertisement

Advertisement

Advertisement

© 2010 Alem Fronteiras
Portal Missionário da Igreja Católica do Brasil