| | Projeto Missionário de Solidariedade entre Igrejas Brasil e Timor Leste Em setembro de 1999, respondendo ao apelo do povo do Timor Leste em dramática situação, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e a Conferência dos Religiosos do Brasil (CRB) se propuseram a assumir um Projeto de colaboração missionária com a Diocese de Baucau, através do bispo Dom Basílio do Nascimento. Desde este momento, a Igreja Católica no Brasil se colocou numa atitude de serviço e solidariedade consciente, traduzida em gestos concretos de reciprocidade na missão. A partir de então foi feito convites as Congregações para que livrassem Irmãs para a missão Inter- congregacional em Timor Leste. Hoje, na missão Inter- congregacional do Timor Leste estão presentes oito missionárias de Congregações diferentes: Ir. Zélia Neis (Congregação da Divina Providência); Ir. Maria Helena Barbosa ( Irmãs do Preciosíssimo Sangue de Cristo); Ir Marlene de Oliveira ( Irmãs Josefinas); Ir. Ivanilde Rodrigues (Irmãs Mercedárias Missionárias do Brasil); Ir. Regina Celi ( Irmãs Jesus Crucificado); Ir. Ana Fuzinato ( Irmãs Catequistas Franciscanas); Ir Anna Chistina (Irmãs Franciscanas do Sagrado Coração de Jesus); Ir. Vera Lucia Palermo ( Irmãs do Divino Salvador - Salvatorianas). Somos oito Irmãs, oito Congregações, oito Carismas vivendo juntas a missão em duas comunidades: cidade de Laleia e Laclubar. INTERCONGREGACIONALIDADE U M JEITO NOVO DE VIVER A VIDA CONSAGRADA ALÉM CONGREGAÇÃO E ALÉM FRONTEIRA A experiência da inter-congrecionalidade é um caminho que nos abre a novos horizontes e nos faz experimentar a beleza de cada carisma partilhado como dom de Deus, que continua suscitando em nós o ardor missionário de nossos fundadores e nos enriquecemos mutuamente. É uma nova oportunidade que nos surge para abrirmos nossas portas e janelas e deixarmos o sol de uma Vida Religiosa Nova entrar e iluminar nossa missão. É também e, sobretudo, a oportunidade para muitas Congregações de servirem em uma Missão além fronteira, que sozinha não teria condições para tal. Viver esta experiência é beber na fonte de outros carismas e nos fortalecer mutuamente. Este estilo de vivência da Vida Consagrada compartilhada nos possibilita viver a inter-cultura e a internacionalidade de outros mundos que nos estimula a crescer na paciência e nos convida ao esvaziamento de nos mesmas deixando-nos questionar e preencher pela essência de outros modos de ver e viver este dom de Deus que é o carisma de cada instituto. A experiência da Inter-congregacionalidade é um desafio que nos convida a superar a segregação Congregacional e partirmos para um novo jeito de vivermos a Vida Religiosa. Os Carismas partilhados são sementes lançadas em outros campos para geminar e florir um novo estilo de Vida Religiosa. É uma nova forma de viver a Vida Consagrada, é um jeito novo de "fazer novas todas as coisas". Renovar, “refundar”, refundir, fazer nascer o broto novo em nossa Vida Religiosa. É um caminho, uma possibilidade nova de globalização da missão e de nossos carismas além fronteiras, como dom de Deus para a humanidade. Do mesmo modo como caminhou com os discípulos de Emaús, Jesus caminha conosco, é companheiro que vai esclarecendo e iluminando a estrada e na partilha do pão diário juntas com os pobres, reconhecemos Jesus, que fica conosco e, é Luz nos momentos de noite escura. Viver a Inter-congregacionalidade é encontrar-se com outros carismas e beber em outras fontes deixando-se enriquecer com o que cada um tem de mais profundo e bonito. Assim vamos caminhando, alimentando-nos da espiritualidade umas das outras, e ao mesmo tempo fortalecendo-nos como Vida Consagrada. Viver esta experiência é um grande presente de Deus em nossas vidas A centralidade de nossa Missão é Jesus de Nazaré, Ressuscitado, que se expressa na vida dos pequenos, dos anawins, o pequeno resto de Israel. Eles, com a simplicidade própria de suas vidas, questionam a nossa vivência de consagradas e nossa coerência batismal. Eles também nos estimulam a irmos buscar dentro de nós mesmas o Deus que nos ama, que nos chama e que nos envia para estamos mais perto deles. O que nos sustenta nesta missão é um grande ardor e amor missionário, fruto de uma mística que coloca Deus no interior da vida e da história. Sabemos que este amor missionário não surge por si mesmo, mas a partir de uma profunda experiência de Deus e uma paixão vinda do coração pela vida e pela causa do Reino de Deus. Amor, este que suscita a vibração, o entusiasmo, a alegria e a coragem para enfrentarmos qualquer tipo de conflito, dificuldade e perseguição. Os pobres nos evangelizam e nos mostram que Ser missionária é não nos deixarmos envolver pelo ativismo que faz de nossas vidas o centro de tudo, mas é nos situarmos no coração de Deus deixando que conduza a nossa vida a uma entrega maior. Precisamos sair de nós mesmas para nos tornarmos um instrumento nas mãos de Deus, mergulhar com afinco no Deus Divina Providência e acreditar de todo o coração, com todo o nosso ser que Ele toma conta de nossas vidas confiando plenamente na sua vontade. Necessitamos nos descolar para a margem cultural e social do mundo do empobrecido, pois missão é encontro de pessoas no caminho e não na segurança de uma casa. É ir ao encontro do outro, subir a montanha, às pressas, deixando que nossos ventres de mulheres se encontrem como Maria e Isabel e proclamar com todo o nosso SER feminino que: “O Todo Poderoso fez em Nós Maravilhas, Santo é o Seu nome...”. Assim buscar nova forma de viver a Vida Religiosa, “refundar” e voltar às fontes de nossos carismas, nos dias atuais, é, sobretudo, ter a coragem e disponibilidade de SER PÃO PARTILHADO, RASGADO, DOADO para nossas (os) Irmãs e Irmãos de Vida Consagrada e para o povo sofrido e excluído que quer ver em nós sinal do Reino de Deus. Assim, o sacrifício diário nas missas do mundo não será em vão e nem formulas repetidas e as palavras de Jesus: “Fazei isto em memória de mim” será em cada um de nós o eco de sua missão, ressurreição e permanência no meio de nós através de seu Espírito Santo, pois assim, alimentados por Ele, seremos a sua imagem e semelhança no meio do mundo. Podemos dizer que viver a experiência da Inter-congregacionalidade é encontrar um tesouro de incalculável valor. É experiência que não se vende, não se troca, nem se dá, e só produz fruto se for partilhada. A partilha nos enriquece, nos questiona e nos impulsiona porque nos faz voltar às fontes de nossas Congregações, que embora fundadas por pessoas diferentes, tiveram todas a mesma fonte Original: Jesus Cristo . Concluo esta reflexão com as palavras de São João: O que existia desde o princípio, o que ouvimos, o que vimos com os nossos olhos, o que contemplamos e as nossas mãos tocaram: falamos da Palavra, que é a Vida. Porque a Vida manifestou-se; nós a vimos, dela damos testemunho e lhes anunciamos a Vida Eterna. Ela estava voltada para o Pai e que se manifestou nós. Isso que nós vimos e ouvimos, nós agora o anunciamos a vocês, para que vocês estejam em comunhão conosco. E nós estamos em comunhão com o Pai e com seu Filho, Jesus Cristo, no Espírito Santo. Ir. Vera Lucia Palermo Irmãs do Divino Salvador (Salvatoriana) Comunidade Inter-Congregacional - Timor Leste Timor Leste, novembro de 2008 |
Missão no Timor Leste Voltando do Timor Leste, após ter passado os dias 13 a 24 de setembro, eu, como membro do COMINA, venho partilhar algumas informações e reflexões.
Timor Leste é uma terra conhecida pelo mundo inteiro pela situação de conflitos que o povo viveu durante muitos anos. Uma terra que conheceu a presença de Portugal e da Indonésia aproveitando das riquezas naturais. Finalmente, o povo timorense conseguiu a sua Independência em 1975, mas não sem grande dificuldade. Teve momento e situações de conflitos internos que levaram a sofrimentos e a incômodos. Por exemplo, ainda no início deste ano, o atentado ao Presidente pela “oposição” levou de novo a uma situação precária na segurança, no andamento cotidiano e na desconfiança. Toda a história do povo de Timor Leste, acompanhado pelo mundo e particularmente pelo povo brasileiro, manifesta o processo sofredor para a libertação desta nação. Nesta situação de um povo considerado como irmão, os brasileiros se fizeram atentos e disponíveis na solidariedade, na compaixão e no apoio numa presença diversificada como missionários ligados a Igreja católica, protestante e grupos evangélicos. Encontram-se também voluntários comprometidos com a causa do povo Timorense como professores, técnicos e os demais. A participação da Igreja do Brasil se realiza particularmente no Projeto missionário inter-congregacional mantido pela CNBB/CRB, o qual foi iniciado no ano 2000. Desde o começo desta experiência das Igrejas Irmãs, a Igreja brasileira está caminhando junto com o povo Timorense descobrindo, vivendo e partilhando de sua história. Durante estes anos, a CNBB e CRB prepararam, acompanharam e assessoraram o projeto sob a responsabilidade do Conselho Missionário Nacional – COMINA. Atualmente são duas comunidades com realidades e trabalhos bem distintos: Laléia - a primeira comunidade aberta em 2000, com o primeiro grupo missionário e Laclubar iniciada em 2003, em uma região de montanha afastada e de difícil acesso, ambas na Diocese de Baucau. 
Da esquerda para direita: 1ª )Ir. Ana Christina, Ir. Ivanilde, Ir. Helena, Ir. Vera Lúcia, Ir. Marlene e Ir. Regina; 2ª ) Ir. Ana e Pe. Guido (visitante). |
Segundo o relatório anterior, quando o primeiro grupo, chegou a Laléia encontrou uma região devastada, junto com Manatuto e Dili, foi um dos lugares arrasados pelas milícias indonésias por ser a região de muito líderes da resistência. “As primeiras missionárias tiveram uma atuação importante na reconstrução e reorganização de Laléia, ajudaram na saúde, na formação, na pastoral, iniciaram a Pastoral da Criança, mas o mais significativo foi à presença consoladora, junto ao povo”. Realidade e atividades Língua: Pessoalmente, entrei em contato pela primeira vez com o povo timorense e sua cultura. Em primeiro lugar, me deparei com uma realidade bastante complexa a respeito da comunicação com uma diversidade de línguas faladas pelo povo. Em casa, se fala o “dialeto” da tribo e este mesmo, tem um conhecimento da língua da indonésia chamada pelo povo timorense “barrasa”= a palavra “língua”. O tetum é também conhecido e usado como língua de comunicação cotidiana. Poucas pessoas entendem e falam o português. Fiz a experiência na primeira missa celebrada em português na paróquia de Laclubar: Quando esperava uma resposta dos diálogos da celebração, os participantes, exceto alguns jovens do coral, não respondiam por que não sabem mesmo. O português é a língua que está se “implantando” como ensinamento nas escolas. Assim, durante as férias, os professores estavam fazendo cursos para poder ensinar as matérias na língua portuguesa. Nos comércios da cidade de Dili, normalmente se encontra um funcionário que sabe atender em português e também um que sabe um pouco de inglês. Nos povoados da montanha, difícil encontrar alguém que sabe o português. Daí a importância de os missionários-as aprenderem a língua para não só se comunicar no cotidiano, mas fazer um trabalho “missionário”. As três irmãs que chegaram em julho estão em fase de aprendizagem tanto da língua quanto da cultura, das diversas culturas... Elas tiveram umas semanas de aulas em Laclubar com um professor que sabe diversas línguas e também uma ampla experiência das culturas. Escola: A escola dom Basílio Nascimento, de Laclubar tem uma fama que vai além do município de Manatuto pelo fato dos estudantes se classificarem para os estudos nas faculdades de Dili. Infelizmente, o ano passado por causa da falta de presença do diretor e também das poucas aulas de português, já se faz sentir a lacuna... Por isso, o novo diretor, Pe. Domingos recebeu a orientação de re-orientar e fazer com que a escola continue segundo o rumo dado pelas irmãs (incluindo as leigas Ana Jacira e Lúcia). Neste sentido, fez o pedido às irmãs, Regina e Ana Christina que estão chegando para dar aulas de português e quem sabe, segundo a situação ficando mais clara, dar aulas de música (área de formação de Ir. Ana Christina). As duas são dispostas a prestar este serviço. O novo diretor está colocando nas conversas a necessidade de ajuda na “administração” da escola no qual a equipe de Laclubar se coloca não a serviço da administração da escola, mas que pode ajudar para a formação de alguém do local. Tudo se faz em referência a fatos anteriores e também para dar passos significativos na transmissão não só da organização, mas também nas atividades concretas. Reconhecendo a importância da missionária se colocar à serviço do povo, elas querem acompanhar preparando professores, funcionários e responsáveis da educação e formação profissional. “Centro missionário”: Sob a responsabilidade de Ir. Vera Lúcia com a ajuda de Ir. Helena, estão reformando o prédio vizinho da escola para o uso como Centro comunitário missionário. Já está dividido em diversas salas (pequenas e grandes) como também o espaço da cozinha, do refeitório, de salas de atendimento, etc. O Centro será usado para as atividades da Pastoral da criança e também umas atividades que estão se desenvolvendo para o atendimento das mulheres grávidas. Esta última corresponde a uma necessidade que Ir. Vera vê como importante na região de Laclubar. | Pastoral da criança: Desde o início da presença da equipe missionária no Timor Leste, as irmãs trabalharam para implantar e desenvolver a Pastoral da criança. Atualmente, segundo a coordenadora diocesana de Baucau da Pastoral da Criança, Ir. Ivanilde Rodriques, a pastoral percorre toda a Diocese dando formação com a ajuda de quase 300 líderes. Ainda, têm paróquias que estão pedindo a implantação da Pastoral da Criança. | |
O bispo, dom Basílio deseja a organização com estatuto com o espírito e a dinâmica própria e também a prática com a técnica usada na ocasião da celebração da vida nos dias de pesagem das crianças e do encontro das mães.
Em Timor Leste, principalmente nas aldeias, existe um índice muito alto de morte materno infantil, com uma média de nascimento de 8 filhos por mulher, o que torna o trabalho da Pastoral Criança essencial à vida, por ser um trabalho de formação de lideres locais valorizando alternativas locais. Em Laclubar, se realiza um belo trabalho de conjunto na formação de liderança da Pastoral da criança sob a responsabilidade das Irmãs Vera Lúcia e Helena. Elas estão desenvolvendo uma formação orientada na prevenção e no acompanhamento com as mães e crianças que vêm de todas as aldeias. Grupo de adolescentes: Em Laléia, Ir. Marlene acompanha um grupo de adolescente, tendo em vista a formação humana e espiritual, tendo preocupação com a integração total, desenvolve trabalhos que vão de atividades manuais a atividades recreativas, com isso consegue abrir uma perspectiva nova para o mundo. Ela aproveita fazendo dinâmicas apropriadas para ler e transmitir conhecimento da Bíblia. Teve a ocasião de encontrar o grupo que é composto de adolescentes que são iniciantes e outros de experiência que já ajudam e acompanham sob a responsabilidade da Irmã. | Acompanhamento das aldeias: Ir. Vera, Ir. Helena - Juntos com o responsável da paróquia e os irmãos São João de Deus, Ir. Vera Lúcia e Ir. Helena são presença missionária de qualidade nas comunidades mais distantes, indo pelo menos uma vez ao mês a todas as comunidades, celebrarem a Palavra. Caminham horas para chegar às comunidades, chamadas de capelas, sempre acompanhados de uma turma de jovens, uns da escola, uns da comunidade e outros |
apenas simpatizantes que gostam de participar e de ajudar nessas atividades. Além da liturgia, colaboram na catequese, no apostolado da oração, estando nas atividades que consideram inseridas por excelência, é a visita as famílias, ir a casa das pessoas, dar atenção especial aos mais idosos e aos doentes. Serviço aos deficientes: Em Laléia, Ir Zélia Neiss , acompanha por Ir. Marlene realiza um trabalho de acompanhamento aos deficientes físicos e mentais. Ainda se encontram um grande número de doentes que vivem nas aldeias sem serem considerados membros dignos da família e ainda menos da sociedade. Assim, são escondidos pela família e rejeitados pela sociedade. Elas estão se aproximando do doente e fazendo um trabalho de conscientização com os membros da família e da sociedade. Formação integral humana: Ir. Zélia está presente no Seminário maior de Dili participando na formação humana e pedagógica dos jovens que se preparam para um serviço eclesial na Igreja timorense. E ela colabora com a Conferência dos religiosos do Timor na área de formação íntegral ajudando os membros das Congregações que estão presentes no Timor Leste. Para mim, missionário que trabalha em relação estreita na formação missionária no Centro Cultural Missionário, posso afirmar que foi uma experiência enriquecedora encontrando as colegas atuando nas situações missionárias. Quero agradecer pela oportunidade que me foi dada de “pisar” o chão de um país que está se “reconstruindo” dando um “espaço” importante à dimensão religiosa. São fatores dinâmicos que nos interpelam para dar um serviço significativo na construção do Reino do Senhor. Pe. Guido Labonté, p.m.é. Na Festa de Santa Teresinha do Menino Jesus. Brasília, 01 de outubro de 2008
Esse é um projeto missionário inter-congregacional da Igreja do Brasil com a Igreja de Timor, convocado e mantido pela CRB/CNBB que iniciou no ano 2000 e de lá para cá vem caminhando junto com o povo de Timor, descobrindo, vivendo e partilhando de sua história. O primeiro curso de “Formação Ad Gentes” de 2008, realizado entre os dias 15 de junho a 10 de julho, no Centro Cultural Missionário, contou com 22 missionários e missionárias que partem em missão para outros países. Destes, três irmãs seguiram nesta terça-feira, 15 de julho, para o Timor Leste. 
Para Irmã Ana Fusinato, membro da Congregação das Irmãs Catequistas Franciscanas, sua maior alegria é realizar um sonho acalentado durante muito tempo, que se concretiza agora, aos 41 anos de vida religiosa. “A maior expectativa é entregar minha vida aos amados de Deus, como enviada por Ele especialmente aos marcados pela dor da guerra e destruição do país, povo e cultura”. Espera perceber os sinais de Deus “Sementes do Verbo”, no meio do povo e com ele resgatar a auto-estima, a alegria de viver, conviver, lutar e trabalhar pela defesa da própria vida e dignidade. Segundo ela, os desafios serão vários: nascer, amar e conviver em outro país com novo povo e nova cultura. Ser verdadeiramente irmã, acolher, ser gratuita, estrangeira, “menor”, colocar-se à margem como foi Jesus Cristo, como queriam Clara e Francisco de Assis, inspiradores do carisma que assumiu como Irmã Catequista Franciscana. O trabalho a ser realizado será junto ao povo, conforme as exigências locais, atuando a um grupo de pessoas com necessidades especiais (deficiências) e a um Seminário Teológico Diocesano. Seu desejo de sair do país foi alimentado ao longo dos anos. Ela acredita que este é o momento certo de sair e doar sua vida num novo país, novo povo e nova cultura. Em princípio sua missão em Timor Leste durará três anos, “porém como entrega pessoal, será para sempre”, afirma. | Já para Irmã Ana Christina, membro da Congregação das Irmãs Franciscanas do Sagrado Coração de Jesus, a alegria em participar da Missão no Timor Leste é muito grande. É ter uma participação efetiva dentro do projeto do Reino, concretizando o respeito, o cuidado e a solidariedade aos que mais necessitam. Seu trabalho será junto à Pastoral da criança e também atividades extra-escolares como: a música, esporte, ajudando o povo a interagir em sua história, a partir de sua própria potencialidade. |
Irmã Regina Celi, Missionária de Jesus Crucificado, que já esteve por dez anos em missão em Nicarágua, sonha em partilhar um pouco de sua vida e fé com estes nossos irmãos que passaram por situações tão difíceis e desesperadoras e, ao mesmo tempo aprender com eles de sua fé, sua cultura e força interior que os levou a resistir e lutar pela dignidade como povo. Ela acredita que a experiência de uma missão inter- congregacional vai ser muito rica e lhe ajudará a amadurecer como pessoa e como religiosa. | |
Com relação aos desafios a serem enfrentados, em uma ótica pessoal, necessita a adaptação a uma nova realidade e cultura e aprendizagem da língua local. Já numa ótica interpessoal, Irmã Celi expõe a atual situação do país: “é um país saindo de um período de vinte e cinco anos de luta e resistência à dominação da Indonésia, passando por uma guerra civil. Eles enfrentam um desafio de reconstrução tanto física como do tecido social. Para isso é muito importante trabalhos de reconciliação e perdão entre o próprio povo”. Num primeiro momento, o trabalho a ser realizado será o de acompanhar as irmãs que já estão no Timor Leste nas visitas às famílias e aldeias para escutá-las, assim como começar a conhecer a história e a cultura timorense. Ajudará também no atendimento à Pastoral da criança; assim que conseguir aprender o Tétum (língua nativa) vai colaborar numa escola de ensino médio, assumida pela Igreja Católica, buscando uma educação sem violência. |