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A PARÁBOLA DO MAR DA GALILÉIA E DO MAR MORTO Enviado por Raimunda Soares, leiga missionária, direto de Moçambique Na terra Santa encontramos dois mares conhecidos. Embora alimentados pelo mesmo rio Jordão eles sejam, no entanto totalmente distintos um do outro. O Mar da Galiléia é de água doce e contém muitos peixes. Seu litoral é salpicado por cidades e aldeias lindas. As colinas que rodeiam o mar são férteis e verdejantes. O outro é o Mar Morto. É célebre pela sua densidade de sais minerais. Não tem peixe e nem os vegetais tem condições de vida. Seus arredores são desertos. Não existe área verde. O Mar Morto apresenta um aspecto desolador. Donde vem esta diferença? A explicação é simples e simbólica. O Mar da Galiléia recebe pelo norte as águas do rio Jordão, com toda a sua carga de vida e fertilidade. Porém, não guarda para si esta fertilidade. Ás águas segue seu curso rumo para o sul. É um mar que recebe a água do Hermon e das colinas de Golon. Riquíssimo em águas e em vegetação, o Mar da Galiléia não vive para si, reparte tudo aquilo que recebe de cima. No entanto, o Mar Morto é totalmente diferente. Recebe igualmente a água do rio Jordão, mas retém esta água para si. Não possui saída. Enquanto as águas se evaporam, todos os sais minerais em suspensão se acumulam no enorme recipiente fechado. A excessiva saturação é estéril. Não permite vegetação alguma, não tem vida. É um mar que mata. É o Mar Morto. Existem igualmente duas classes de pessoas. E para começar, encontramos pessoas que nada guardam para si mesmas, nem seus dons e nem seus talentos. Colocam tudo a disposição dos outros. Tornam-se assim bem aceitas e são estimadas pelos outros. Tais pessoas são vivificadas. Seu calor humano, sua caridade, sua disponibilidade e o seu dom de partilhar com os outros irradiam em redor delas confiança, alegria e vida. É gratificante colaborar com estas almas generosas. E tudo isso porque elas possuem a arte de nada conservar para si mesmas. Sabem partilhar os dons que o Senhor lhes concebeu. Desgraçadamente encontramos pessoas totalmente diferentes. São aquelas que vivem mais para si mesmas. Acumulam, porém somente para si. Sofrem de uma tríplice enfermidade: avidez, ambição e dominação. Ignoram sua enfermidade, porém a fazem sofrer. E esta doença as leva a morte. Não são simpáticas e nem atraentes. Isolam-se. Não irradiam luz e nem calor humano. Deterioram, pelo contrário, o clima e ambiente. Tudo o que é vida, desaparece em redor delas. Formam realmente o Mar Morto.
Colônia de Férias 2008 com as crianças e adolescentes da infância missionária em Moçambique Pequeno relato enviado por Raimunda Soares, leiga missionária
 Uma das atividades da Comissão da Criança e Adolescência – Infância e Adolescência Missionária, na Paróquia de São Miguel Arcanjo em Cuamba – Moçambique é a Colônia de Férias. São momentos de reflexão sobre um tema e partilham em forma de teatro, danças, cantos, poesias; convívio fraterno; oficina de artesanato; oração. Participaram 10 comunidades (Mutxora, Adine I, Adine II, Cidade, Aeroporto, Maganga I, Maganga II, Nassombe, Mendonsa e João), um total de 29 monitores, 08 membros da equipe missionária (Rosa, Sueli, Lourenço, Margarida e Clara – portugueses, pertencem à entidade leigos para o desenvolvimento; Irmã Marli, missionária capuchinha, brasileira e Teone e Eu (Rai), brasileiras do projeto Além Fronteira) e 159 crianças e adolescentes de 07 a 16 anos. A Colônia aconteceu nos dias 17 a 20 de julho na comunidade de Mitucue. Segue abaixo algumas fotos. A comida (shima, matapa, arroz, feijão, peixe..), se alimentando 
Momentos de estudos e reflexão em grupos divididos por idade No dormitório Missa de encerramento Todos juntos Este é o meu lugar Um chamado, uma resposta, uma missão. de Inês Regina de Lima Nasci no estado do Paraná, em Apucarana. Minha família se transferiu para Iracema, um povoado do município de Formosa d’Oeste, comunidade da paróquia de Jesuítas, no mesmo estado. Lá vivi e recebi as bases da fé cristã e ousaria dizer que lá também não só conheci, mas senti a vocação missionária, graças a duas catequistas que em todos os encontros nos convidavam a rezar por aqueles e aquelas que estavam em lugares difíceis, muitas vezes até perseguidos e perseguidas por anunciarem o Evangelho de Jesus, ajudando os irmãos e irmãs mais pobres e abandonados. De onde elas tiravam tanta informação, eu não sei. O que sei é que isto entrou no meu imaginário e de lá nunca saiu; ficou gravado na minha mente e mais ainda no meu coração. Até que um dia, num dos encontros paroquiais, vieram à nossa capela alguns missionários para falar das missões. Eles nos mostraram um filme sobre o seu trabalho. Aí a minha imaginação viu a realidade. Foi a primeira vez que eu vi como era a vida de uma missionária anunciando a Palavra de Jesus na catequese, visitando e curando doentes, enfim, fazendo o bem e consolando as pessoas. Senti dentro de mim uma forte vontade de ser como elas. Eu era apenas uma adolescente de 12, 13 anos. Aos 15 estava coordenando o grupo juvenil da comunidade. As mediações de Deus Num encontrão de jovens, organizado pela paróquia, veio nos falar o padre Jordão Pessati, da Consolata. Ele contou-nos muitas coisas da vida missionária e no final do encontro entregou-nos uma ficha com uma pergunta: “jovem, o que você quer ser no futuro?” A ficha mostrava várias profissões e vocações, inclusive as sacerdotais, religiosas e missionárias. Lembro que não pensei duas vezes e respondi que queria ser missionária. Os coordenadores recolheram as fichas. Mal sabia eu que a minha iria parar nas mãos das missionárias da Consolata de Cafelândia. Pouco tempo depois, elas me escreveram uma carta para saber se realmente eu estava pensando em conhecer melhor a vocação missionária. Se assim fosse, elas viriam fazer-me uma visita. Fiquei super emocionada e lhes respondi que sim. Porém, havia um pequeno problema: os meus pais - eles não estavam muito de acordo. Diziam: “É, a gente cria os filhos e quando eles começam a ajudar nos abandonam”. Aquilo doía no meu coração. Porém, eu estava certa que o que eu iria fazer não era abandono. Por outro lado, como fazê-los entender? Continuamente tentavam me dissuadir, dizendo que aquela era uma idéia passageira. Além disso, naquela altura, como toda adolescente, eu já tinha o meu pretendente e gostava dele. Mas, no fundo, o amor que fazia o meu coração bater mais forte, já era Jesus e a missão. Mesmo se aparentemente a vida transcorresse normal, todos sabiam da minha decisão. O encontro tão esperado E o dia chegou. Duas missionárias da Consolata vieram até nossa casa. Elas explicaram, a mim e aos meus pais, como deveria proceder para iniciar a minha formação religiosa missionária. Claro, eu entendia a preocupação dos dois. Vivíamos na roça e a situação econômica era difícil; de modo que eles pediram às irmãs seis meses para encaminhar as coisas. Estávamos no mês de julho. Então, todos pusemo-nos a nos preparar. Eles, a parte referente ao que eu deveria levar, e eu, como faria para dizer ao meu namorado, que “outro” me havia roubado o coração... E, além disso, devia preparar-me para retornar aos estudos. Nesse período de decisão e já de acompanhamento vocacional, outro filme muito me ajudou: “Mãos Vazias”, que mostrava vários carismas. Aquela exposição confirmou mais ainda que o Senhor estava mesmo me chamando para a vida missionária. “Este é o meu lugar”, disse a mim mesma. Deixar tudo Não foi fácil a separação da família, do grupo de catequese e dos jovens. Era o dia 17 de fevereiro do 1977. Em Cafelândia, cidadezinha perto de Cascavel, encontrei a minha segunda casa e com as missionárias da Consolata a minha família. Logo em seguida fui transferida para São Paulo, onde terminei meus estudos e também a minha formação. Vivi minha primeira experiência missionária em Niquelândia, estado de Goiás. Eu havia aprendido no tempo de catequese, que os missionários partem; e eu também parti. Fui à Itália, onde cursei Missiologia na Faculdade Urbaniana e fiz especialização em Teologia Pastoral na Faculdade Camiliana. Aproveitei de lindas experiências de férias em Campos Juvenis. Naquela época, eu não pensava que aquilo já estaria me preparando para o meu futuro campo de missão. Fui transferida para Portugal, trabalho de Animação Missionária Vocacional (AMV). Foram cinco anos de intensa atividade com jovens, numa maravilhosa ação em conjunto com os padres da Consolata e outras nove Congregações, todas animadas pelo mesmo espírito da Missão. Além-fronteiras Em maio de 1996 parti para a Venezuela com seus destacados rincões indígenas. Já são 12 anos que ali estou trabalhando. Oito anos vividos entre os indígenas das etnias Wayüu, Ye’cuanas - Sánema e Warao. Atualmente, me encontro em Carapita, uma grande favela na periferia de Caracas, ou seja, um morro onde o amontoado de casas se confunde com o amontoado de pessoas em busca de sobrevivência. Junto com mais duas irmãs orientamos todo o trabalho pastoral da capela dedicada a Nossa Senhora Consolata. Dois dias por semana trabalho na secretaria do COMINA - Conselho Missionário Nacional e nos demais dias da semana continuo na AMV, em conjunto com os missionários da Consolata.
No aniversário dos meus 25 anos de Vida Religiosa, vim para o Brasil, para em Pedreiras, interior de São Paulo, celebrar. Sinto-me muito feliz e realizada por estar colaborando na construção do Reino de Deus. Não digo que a vida missionária seja fácil; mas, mesmo assim, é uma aventura que me fascina. Partilhar a fé entre raças, línguas, estilos de vidas diferentes é muito enriquecedor e gratificante. Agradeço muito a Deus por tanta graça e sigo em frente procurando ser fiel ao meu lema, que é o de São Paulo: “fiz-me tudo para todos, para ganhar o maior número para Cristo. Tudo faço pelo Evangelho, para dele me tornar participante” (1Cor 9, 19.23).
Inês Regina de Lima é missionária da Consolata na Venezuela.
Tradição Oral
Enviado por Raimunda Soares, leiga missionária, direto de Moçambique A inveja do rei Por: PAOLO VALENTE Ter inveja daquilo que os outros têm é uma tentação universal… como universal é a lição: quem se deixa dominar por ela, não encontra o que procura mas acrescenta sofrimento aos dissabores que já tem. Uma grande carestia afligia a aldeia: ninguém tinha que comer e só um milagre poderia salvar os seus habitantes. Bani não se resignava e cada dia saía de casa à procura de alimento na floresta. Mas o calor tinha secado tudo e era cada vez mais difícil encontrar algo que comer. Um dia, já de regresso à aldeia de mãos vazias, encontrou entre os espinhos uma cabaça de forma alongada. Quando parou e olhou para ela, ouviu uma voz: «Onde vais, sozinho pela floresta?» Olhou em redor, mas não viu ninguém. Era mesmo a cabaça que lhe falava! Encheu-se de coragem e explicou-lhe que procurava alimento para ele e a família. Ela respondeu-lhe: «Hoje ganhaste o dia: tira-me destes espinhos e pergunta-me o que sou capaz de fazer por ti.» Bani não se fez repetir a ordem, recolheu a cabaça e limpou-a com as mãos, perguntando-lhe: «Cabaça da forma alongada, que sabes tu fazer por mim?» A cabaça começou a vibrar com força e a dizer: «Dou-te papas, dou-te papas!» E imitou o gesto que se faz quando se tiram as papas de milho da panela. E o bonito foi que Bani se encontrou com um prato de papas, que comeu até se saciar, tal era a fome que sentia. Depois de comer, a cabaça disse-lhe: «Leva-me contigo e farás feliz a tua família.» Bani levou a cabaça debaixo do braço e guardou-a na sua cabana. E com ela, quando chegou a noite, deu de comer à sua família. Bani tinha um irmão, de nome Sani e língua cumprida. Comeu também a sua porção de papas, mas de manhã cedo foi logo dizer ao rei o segredo da cabaça. E o rei, de imediato, mandou chamar Bani. «Ouvi dizer que encontraste uma cabaça que trouxe a felicidade à tua família», disse-lhe o rei, perguntando de que se tratava. Bani contou-lhe a história e mostrou-lhe a cabaça. O rei fez como Bani lhe contou e perguntou: «Cabaça da forma alongada, que sabes fazer por mim?» Ela respondeu: «Sei dar-te papas!» E de novo, também o rei se encontrou com um belo prato de papas, que comeu com gosto. Mas, para surpresa de Bani, em vez de lhe devolver a cabaça, ficou com ela dizendo: «Trata-se de um assunto que, claramente, diz respeito ao rei, guardar a cabaça.» Bani ficou furioso e na manhã seguinte não teve outro remédio senão voltar à floresta à procura de alimento. Teve outra surpresa. Viu outra cabaça, de forma diferente, muito mais comprida, que parecia um tubo, um bastão comprido, um grande cacete. «Aonde vais sozinho e zangado?», perguntou-lhe a cabaça. E Bani contou-lhe a história: «Encontrei uma cabaça capaz de dar de comer a toda a minha família e à aldeia, mas o rei tirou-ma e ficou com ela.» A cabaça disse-lhe de novo: «Pergunta-me o que posso fazer por ti.» Ele obedeceu-lhe e ela, agitando-se ameaçadoramente respondeu: «Bater-te, bater-te!» Bani ficou meio atordoado com a pancada, mas depois pensou: «Conheço alguém a quem esta cabaça vai dar uma lição!» Levou a cabaça debaixo do braço e foi apresentar-se ao rei, dizendo-lhe que tinha encontrado uma cabaça ainda mais prodigiosa que a outra. O rei nem esperou por mais explicações e fez a pergunta: «Cabaça da forma de bastão, que sabes fazer pelo rei da aldeia?» A cabaça começou a agitar-se ameaçadoramente e golpear o rei na cabeça, sem parar. O rei gritava de medo e de dor e apanhou uma valente sova, antes que o filho e os servos conseguissem dominar a cabaça. Depois retirou-se nos seus aposentos, sem contar a história a ninguém. Desde então na aldeia todos sabem que não é bonito ter inveja daquilo que os outros têm e que não convém a ninguém, nem ao rei, deixar-se dominar pela inveja. Quando se é invejoso pode acontecer que se procure papas de milho e arroz e se encontre lágrimas e sofrimento.
MAKEYA TRADICIONAL Enviado por Raimunda Soares, leiga missionária que está em Moçambique Rito de consulta a Deus e aos antepassados antes de deixar uma morada antiga (mmathalani) para ir a outro local novo (omathatuni). Como saber se o local escolhido era saudável? Pedia-se a Deus e aos antepassados um sinal. Punha-se numa gaiola uma galinha e um galo, enchia de farinha de mapiha (mele) uma cabacinha de bico comprido usada como copo para beber (mukupu) em seguida dois conselheiros do régulo (chefe) pegavam nestas coisas e iam ao lugar escolhido, punha-se aos pés da arvore sagrada (mutholo) escolhida para ser o lugar da casa do régulo, a gaiola e a cabecinha, derramava a farinha, rezando a Deus e aos antepassados, pedindo um sinal confirmativo. Logo de madrugada ao primeiro canto do galo, os dois regressavam ao lugar para ver o resultado da consulta. Se encontrar tudo em estado normal, era sinal que o lugar escolhido era habitável, tinha aprovação de Deus e dos antepassados. Os dois regressavam para avisar o régulo gritando: moreriwa, nohakhuleliwa (fomos abençoados, escutados). Então todos pegavam nas suas enxadas, facões e machados e iam limpar o novo lugar. O régulo marcava sua casa no lugar do mutholo e, partindo deste ponto distribuíam-se em todas as direções as moradas do seu povo. A makeya tradicional é feita em qualquer altura do dia, da semana, do mês e do ano. Para o makua todo tempo é sagrado. Por isso a escolha do régulo (mwene) ou rainha (pwiyamwewne), as curas começam ao anoitecer. A noite é tempo da ação de Deus, dos Espíritos. Por isso a sabedoria makua diz: ohiyu amayé a mituru (a noite é a mãe de todos os conselhos) ou munepa sinnetta ohiyu (os espíritos andam de noite). A makeya é cíclica, marca os momentos da vida, principalmente o inicio e o final. Fortalece a vida atual com os ritos terapêuticos (mirusi, matxini) e prepara o futuro com os ritos de iniciação (olukhu, omwali). A makeya por ser matriarcal é presidida pela mãe, tio materno ou avôs maternos. A oração da makeya começa invocando a Deus e depois os espíritos dos antepassados: Txonde Muluku apwiya – por favor Deus, avô materno, Senhor Txonde Muluku mwanene a itthu sothene – por favor Deus dono de todas as coisasTxonde Muluku mpattuxa – por favor Deus criador Txonde Muluku namusulu - por favor Deus Altíssimo Txonde Muluku nikholo – por favor Deus antepassado Txonde Muluku munepa – por favor Deus Espírito Txonde Muluku akumi – por favor Deus da Vida Txonde Muluku nanveteku - por favor Deus desnorteante Txonde Muluku mukulukhano owo – por favor Deus médico............ MUTHOLO Mutholo é uma árvore com casca branco-cinzenta, a seiva é vermelha (sangue, vida) as raízes são numerosas (fecundidade) debaixo das quais animais pequenos cavam as suas tocas. Os frutos são comidos pela gazela, animal primordial, primeiro a ser criado por Deus. Todas as partes do mutholo são terapêuticas: raízes, folhas, frutos e casca. Cada família tem seu mutholo. Esta arvore é umbigo da fecundação de uma nova comunidade ou povoado. É o altar da religiosidade Makua. A sabedoria Makua afirma: pixa murima, mutholo, mutholo w’atthu: o bondoso é mutholo da gente. MAPIHA A farinha de mapiha (uma planta parecida com cana de açúcar, só que fina e que dá um cacho parecido com o de arroz de onde se extrair as sementes) para ser oferecida é pilada e dela sai um pó branco parecido trigo. A mapiha também usada para fazer a xima (comida típica dos povos de Moçambique). Matéria enviada por Raimunda Soares, leiga missionária que está em Moçambique
Carta enviada por Ir. Cleide de Oliveira Souza, Irmã Espiritana na Guiné Bissau A Missão além fronteiras Deixar meu país na ambição de uma vida mais acessível nunca me dominou, talvez o desejo de conhecer outros povos e culturas, principalmente a sua religiosidade, até tenha me seduzido e as situações de urgência, por sua vez, provocaram-me empatia, mas não foram bastante para me levarem a partir. Com isto, não manifestava entusiasmo pela vida missionária. Mesmo por que, o Brasil continua a ser solo de Missão, pois, também a entendemos de diversas maneiras hoje e assim poderia realizá-la junto do meu povo. Na juventude, enquanto definia metas e sonhos, fui atraída pela Palavra viva e para o testemunho da vida fraterna e no despertar para a Vida Religiosa, conduzida docilmente à Congregação das Irmãs Missionárias do Espírito Santo que ajudou-me a discernir e amadurecer a minha vocação de «apóstola», o enraizamento no carisma fundacional do Pe Libermann e da Ir. Eugênia Caps foi primordial para o crescimento no zelo pelos mais abandonados. A Primeira Missão Logo após emitir os votos temporários recebi a primeira missão: Guiné-Bissau. Depois de três meses a partida. Deixei meu país, família e amigos para empreender um sonho que já não era só meu e sim o «sonho de Deus». O medo não me fez recuar porque d’Ele recebi a mesma garantia que os Apóstolos: “Eu estarei convosco até ao fim dos tempos” Mt 28, 20.O Contacto com a nova realidade Encontrei outro povo acolhedor e alegre, contudo, visivelmente marcado pelo sofrimento e abandono. Aprendi com a gente que dança e sorri na dor e que se entristece quando a vida é ceifada ainda no regaço. Encantou-me o sorriso e as vozes das crianças e a simplicidade dos idosos. Da linda paisagem natural faltaram-me as flores, mas logo me acostumei com as cores pungentes dos panos e das vestes. Ao lermos o passo do Evangelho de Lc onde Jesus envia os 72 discípulos recebemos instruções das quais não podemos nos esquecer e uma delas é essencial: devemos ir vazios de posses e conhecimentos, no entanto, de coração aberto e cheio de confiança na graça do nosso Deus para estarmos dispostos a tudo empreender pela causa do Evangelho, sem esperarmos obter resultados. Pelos mais abandonados Na Guiné-Bissau estamos situadas em duas comunidades a mais ou menos 78 km da capital, Bissau, numa zona predominante da etnia dos Manjacos e praticantes da Religião Tradicional. A nossa missão compreende dois sectores administrativos onde residem as paróquias de Caió e de Bajob sob a direcção dos Padres Espiritanos. Devido ao abandono por parte do Estado, principalmente da área social, procuramos nos inserir na saúde, educação e na promoção humana, fomentando o desenvolvimento deste povo, embora de uma maneira discreta. Em curto tempo, 3 anos de missão incompletos, provei fracassos e êxitos nas actividades empreendidas junto à promoção humana, com os trabalhos artesanais e a alfabetização das mulheres e no ensino fundamental onde assumia a leccionação e coordenação de uma pequena escola, o que concorreu para um novo delineamento da missão que apelava para a carência das crianças. Na ausência da pré-escola, iniciei um grupo de 18 e depois 32 alunos em idade compreendida entre os 3 e 6 anos, muitos entregues aos seus próprios cuidados e sem o apoio indispensável para o seu desenvolvimento integral. Notamos que tais problemas traziam sérias consequências no processo educativo em outras etapas. Um dos objectivos deste trabalho seria a facilitação do aprendizado do crioulo e do português para uma melhor compreensão e assimilação dos conteúdos transmitidos nas disciplinas. Tal projecto, ainda a nível experimental, visa contribuir para o progresso, sobretudo desta zona manjaca e fomentar novas mentalidades comprometidas com a transformação da sociedade, com sólidas bases humana e cristã cultivadas nas famílias. No que se refere mais particularmente a actividade pastoral, estamos empenhadas no acompanhamento das «Pequenas Comunidades Vivas», essencialmente no Catecumenato e na Liturgia. Entre os desafios que se apresentam, está a necessidade de formação de líderes e da animação da participação efectiva dos adultos e idosos, inúmeras vezes obrigados a evadirem por causa dos compromissos sociais e religiosos da Religião Tradicional. O que não nos desanima por que o Espírito Santo foi derramado em nossos corações e é Ele o verdadeiro Protagonista da Missão. Sinto-me feliz com esta minha primeira experiência missionária e acredito que ela tenha me ajudado a abrir os horizontes da fé, da cultura, do conhecimento de outros povos e realidade. Despertou-me ainda para um compromisso cada vez maior com o anúncio do Evangelho: “ ai de mim se eu não evangelizar” (I Cor 9, 16). Certa de poder contribuir com a Missão Universal da Igreja, proponho-me a fazer como aquele homem que retirava as «estrelas do mar» da areia e as lançava novamente ao mar, crendo que a sua pequenina acção faria diferença. Ir. Cleide de Oliveira Souza, Irmã Espiritana na Guiné Bissau
Carta enviada por Ir. Luciana, da Congregação das Dominicanas de Monteils E com muita alegria que faço uma pequena partilha do pouco tempo que estou aqui no Haiti. Partilha que brota do coraçao, do profundo, que vem de dentro que só o Espiríto de Deus pode sentir e compreender. É uma coisa inexplicavél que só quem sente sabe o sentido da profundidade. Hoje com muita ousadia pego algumas palavras da nossa querida mãe Maria: “ Sim a minha alma se alegra e engrandece ao Senhor, porque fez em mim maravilhas chamando-me entre muitas outras para vir ao Haiti. E minha alma agradece diz ao Senhor: aqui estou a sua disposição, faça-se em mim a tua vontade; com muito amor, abertura, simplicidade, dedicação e humildade farei de tudo para ser anunciadora da Boa Notícia sendo presença com toda a minha pequenez e fragilidade mas forte com sua grandeza porque acredito na força do Deus que se manifesta nos pequenos. Vou fazer de tudo para servi-lo assim como Anastasie e Tereza de Calcutá, que com toda fragilidade e pequenez doaram seu ser por inteira com tudo que tinham e que eram, com muita intensidade sendo amor e amantes da missão na qual Deus lhes confiou. Hoje, 05 de maio, depois de um mês que estou aqui no Haiti, sinto-me realizada, em casa, aqui fizemos até um pudim para festejar, pois foi um dia muito especial e significativo para mim e também para a comunidade. Afinal de contas está aqui é uma graça é um previlegio é um presente de Deus que não é para qualquer um mas para aquele que ele escolhe. Aqui moramos em 6 pessoas, duas jovens Elza e Joana, formandas da congregação de irmã Vicentina Irs. Filhas da Misericordia, Irmã Vanda, Irmã Aparecida e eu Irmã Luciana, Dominicanas de Monteils e o Pe. Gerard, nosso vigario que nao vivi na mesma casa, mas faz sua refeiçao conosco. Agradeço a Deus por viver numa comunidade onde a oração é a esséncia de nossa vida, onde a fraternidade está sempre presente, na ajuda mútua, na escuta, na partilha, na presença e na confiança uma nas outras e no carinho e no estudo. Aqui temos nossos momentos de diversão de desabafo, de sofrimento e de alegria e, sempre contamos umas com as outras procurndo fazer o que nossa mestra Asnastasie disse: “carreguem o fardo uma das outras”. E assim conseguimos viver bem vencendo as dificuldades; e sobre tudo depositando nossas vidas nas maos de Deus e deixando que Ele nos modele e nos conduza. No dia-a-dia procuramos sempre viver as pequenas coisas com intensidade resgatando as nossas raizes anastasianas e dominicanas, como disse nossa mestra;” as pequenas coisas são tesouros para os olhos de Deus”. Estou muito contente por viver e sentir um pouco do que o povo vive e sente, um pouco que não é nada diante do que eles vivem, mas já dá para sentir o quanto eles sofrem e mesmo assim são gratos a Deus por tudo. É uma realidade que toca profundamente o coração da gente. Há muita pobreza, é muito triste a luta pela sobrevivência. Eles trabalham de segunda à segunda sem parar. Muitos durante o dia não conseguem vender nada, mas não se desanimam porque não tem outra opçao. Eles vendem de tudo, muitas mulheres e homens colocam na cabeça as coisas para vender, outros em bacias, bancos, mesas etc. Nós admiramos e agradecemos ao bom Deus pela força, pela persistência, resistência e coragem deles na busca e na luta por uma vida mais digna.É um povo sofrido mas, também muito alegre, feliz com o pouco que tem, mesmo com tanta pobreza eles nunca esquecem de bendizerem a Deus pelo que tem. Eles cantam muito lindo como nunca vi igual e isso dá mais vida. E enriquece a sua realidade.Há violência sim, roubo também como em qualquer outro lugar do mundo, como no Rio de Janeiro, como em Sao Paulo etc. Eu ainda não posso falar tanto pois ainda não conheço bem a realidade do país, conheço apenas um pouquinho de Gonaives. Eu sinceramente só tenho motivos de gratidão a Deus por viver esta linda experiencia missionaria que marca a minha vida e que me enriquece a cada dia de conhecimento, aprendizado e maturidade. Estou muito feliz por trabalhar com Irmã Aparecida no Dispensário ( Posto de saúde).Todos os dias vao muitas pessoas doentes, raquiticas, anemicas e etc. Aqui fazemos uma linda missão abrimo-nos aos nossos irmãos/as, doentes e despresados pela sociedade acolhendo-os, escutando-os, abraçando-os e sobre tudo amando-os, com nossa presença amiga e carinhosa. Assim nos sentimos realizadas por estarmos testemunhando o que nossa querida mãe Anastasie nos pediu e nos deixou como herança. Não é facil este trabalho mas, Deus dá a graça, a força, a resistência e muito amor para fazermos com prazer e dedicação. A cada dia no dispensario eu aprendo uma coisa nova com a Ir Aparecida, que tem muita paciência e disponibilidade em ensinar-me. Na convivencia com o povo, funcionarios da escola e do dispensario a cada dia descobrindo coisas, palavras e assim vou amadurecendo e confirmando o meu sim, a minha vocação, a minha vida. Quanto a comida não tenho nada que reclamar pois é muito boa. Quanto ao criolo estou feliz porque conto com à ajuda da minha comunidade, do povo que tem prazer, muita alegria e paciência em ajudar-me; é muito bom, bonito e lindo agente se sente como criança nos braços de Deus. Irmã Luciana Ribeiro de Azevedo
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